18 de Março de 2010

07/02/2010 - por Redação Ápice

Delícias argentinas e chilenas

Márcio Oliveira, coluna Vinotícias.

            Venho escutando recentemente, cada vez com maior frequência, que as pessoas estão deixando de lado os vinhos com origem na Argentina e no Chile, preferindo vinhos do Velho Mundo. É verdade que cada vez nos chegam mais vinhos com origem européia a bom preço, o que abre o leque de opções a experimentar e permite ao amante de vinhos expandir seus horizontes.
            Entretanto, quando pergunto para os amigos se eles já provaram  algumas delícias argentinas e chilenas, percebo que o universo sul americano (e isto sem falar do Uruguai) ainda tem muito a ser desvendado. Estrelas como o Erasmo, Polkura, Caliterra, Amayna, Ventolera, para citar alguns rótulos, ainda são desconhecidos de muitos.
            Se você ainda não teve a chance de provar o Erasmo 2005 não sabe o que está perdendo. O vinho é de uma elegância rara de se achar no Chile, aliás, parece mais um Velho Mundo do Novo Mundo. Robert Parker deu 91 pontos para o vinho de 2004 e o chileno Patrício Tapia, 93. Notas altas e merecidas. Na safra 2005 as notas se mantiveram no mesmo patamar: Tapia deu 93 pontos. O Erasmo é produzido pela Viña La Reserva de Caliboro em Loncomillas (Valle del Maule). O Conde Francesco Marone Cinzano, presidente do Consorzio del Vino Brunello di Montalcino e proprietário da Tenuta Col d'Orcia em Montalcino (Província de Siena, Itália) é também o proprietário da Viña La Reserva de Caliboro (Chile).
            Além da qualidade do terroir, do clima da região e dos clones importados da França pessoalmente por Francesco, uma das características mais marcantes do Erasmo é o envelhecimento de 12 a 18 meses em barricas de carvalho francês. O vinho de 2005 é um assemblage de Cabernet Sauvignon 70% Merlot 20% e Cabernet Franc 10%, que passou por estágio de 18 meses em barricas de carvalho e mais 12 meses em adegas antes de sair ao mercado. Seus aromas são intensos e elegantes, frutas vermelhas, pimenta negra e toques de café e chocolate, em total harmonia. Na boca é muito equilibrado, tem ótima acidez e os taninos são macios. Sabores definidos de frutas negras e especiarias, com toques minerais. Final longo, frutado e com fundo de especiarias, um belo vinho, com muita vida pela frente. O Erasmo 2005 é um dos vinhos mais premiados do Chile, no GUIA DESCORCHADOS 2008, ficou entre os 10 Melhores Vinhos do Chile com 93 pontos, além de 93 pontos Wine & Spirits - Best Buy - 91 pontos Robert Parker - 90 pontos Wine Spectator. Quem traz o Erasmo para o Brasil é a Casa do Porto (31 3286-7077). Custa R$ 99 e vale cada gota!. A mesma importadora tem outras estrelas em seu catálogo, como o Matetic EQ Syrah 2007 e o Ventolera Sauvignon Blanc 2008.
            Outro belo vinho, ainda desconhecido de muitos, é o Polkura Syrah 2006. Os enólogos e colegas Sven Bruchfeld e Gonzalo Muñoz se encontraram em Narbonne, França onde decidiram produzir um vinho excepcional com a uva syrah no Chile. Sven, um fanático pela syrah, conhecia muito a região de Colchagua por ter trabalhado na vinícola Errazuriz. Após meses de pesquisa, escolheram a região de Marchigüe, no extremo ocidental do Valle de Colchagua, por possuir maior altitude, clima mais fresco e solos pobres em encosta, conjunto que oferece condições ideais de maturação da fruta. Polkura é o nome de uma pequena elevação (cerro) na área do vinhedo. Em suas encostas estão as vinhas que dão origem ao vinho com este nome. Polkura significa “pedra amarela” no idioma Mapuche, como referência á grande quantidade de granito amarelo presente nos solos argilosos deste setor. O granito decomposto dá ao vinho mineralidade e elegância, enquanto a argila aporta corpo e estrutura. O clima moderado agrega frutuosidade, resultando em um vinho harmonioso e equilibrado. Marchigüe tem um clima intermediário, nem tão frio como em Casablanca, nem tão quente como no centro de Colchagua. Para melhor expressar o clima, escolheram as encostas voltadas ao sul, mais frescas. Quem traz o Polkura é a Premium (31 3282-1588). Outros destaques da importadora são o Falernia Carmenère Reserva 2005, um dos melhores feitos com a uva no Chile e o Quintay Clava Sauvignon Blanc 2006, bastante fresco e agradável, indicado como o melhor custo-benefício em recente painel da prestigiosa revista Decanter. Em seu caderno especial do Chile foram selecionados 13 Sauvignon Blanc de vinícolas chilenas cotados com 4 estrelas, sendo o Quintay Clava o de menor preço.
            O tinto Encierra é um belo vinho. O da safra de 2003 era uma explosão de fruta, equilibrada com um excelente frescor quando provei o vinho pela primeira vez numa apresentação da importadora na SBAV-MG. O vinho é importado pela Ana Import, representada em BH pelo Antonio Salles, e no ano passado mostrou como o vinho evoluiu em safras mais recentes. Continua a valer por cada gota que se bebe. Da mesma importadora, prove o William Cole Mirador Selection Sauvignon Blanc 2006, que já eleito o melhor feito com a uva na Expovinis e continua a merecer atenção.
            Uma das mais promissoras vinícolas chilenas é a Ventisquero. A linha Queulat é muito boa, com destaque para o Cabernet Sauvignon. Um degrau acima, a linha Grey é ótima, em especial o Cabernet Sauvignon e o Syrah. Noutro patamar temos o ótimo Pangea Syrah, ícone da vinícola que ainda lançou recentemente o Vértice, espetacular corte de syrah e carmenère, que começa a chegar no Brasil. Os vinhos da Ventisquero são importados pela Cantu (www.cantu.com.br, 0300 210-1010).
            O Ventolera Pinot Noir 2007 é um belo tinto produzido pela Viña Litoral no Vale de Leyda/Chile, nascida da parceria do proprietário Vicente Izquierdo com o enólogo Ignacio Recabarren. O Vale de Leyda é refrescado por brisas que sopram do Oceano Pacífico que está a uns oito quilômetros dos vinhedos. A temperatura máxima no mês mais quente do ano, não ultrapassa os 25ºC o que contribui para a produção de um Pinot Noir de estilo fresco elegante. Este Pinot Noir estagiou por oito meses em barricas borgonhesas de carvalho francês para desenvolver seus aromas e afinar seus taninos. No nariz mostra sutis aromas florais, violetas, frutas negras, amoras, cerejas pretas, cravo de cheiro, pimenta. Boca ampla, com muitos matizes, a concentração natural é fruto dos baixos rendimentos praticados no vinhedo, apresenta fruta intensa, rica, contudo fresca, sustentado por taninos sedosos e redondos, Recebeu 90 pontos Guia La Cav 2009 - entre os Três Melhores Pinot Noir do Chile.
            A Grand Cru (31 3286-2796) trouxe o Kankura Rosé 2007, uma das melhores relações qualidade-preço que já bebi. Um corte de 80% Cabernet Sauvignon 20% Syrah vinificado como se fosse um branco de classe, que resultou num vinho fresco e muito agradável. A mesma importadora traz os confiáveis vinhos da Santa Rita. Entre os destaques, a linha Gran Hacienda e o raro Triple C (R$ 220), corte de cabernet franc, cabernet-sauvignon e carmenère.

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